Resiliência não é força, é flexibilidade: aprendendo a recomeçar do zero
Pensando sobre o começo — ou melhor, o recomeço — a verdade é que nem sempre é fácil. Muitas vezes me peguei pensando se realmente sabia o que estava fazendo. Olhava para trás, para tudo o que deixei, para toda a história que já tinha vivido, apenas para criar uma nova estrutura do zero.
No início, não parecia que eu estava estudando algo novo; eu estava simplesmente em um modo de repetição de tarefas que, na minha cabeça, pareciam não fazer sentido. Mas, naquele momento, era tudo o que eu tinha para me segurar em um lugar onde eu acreditava que o futuro era possível.
No nosso país, temos um título, uma profissão, um nome. As pessoas nos conhecem. Quando imigramos, muitas vezes precisamos aceitar trabalhos que nunca imaginamos fazer. De repente, você não é mais notada; é apenas mais uma pessoa tentando reinventar a própria roda.
Fazer essas mudanças não é simples. O nosso ego precisa diminuir e a nossa visão de mundo precisa mudar. No meu caso, que já caminhava na estrada de mentora e palestrante, passar para tarefas manuais e de limpeza foi algo radical. Tive momentos em que a dúvida batia forte: "O que estou fazendo com os meus diplomas?"
Nenhum trabalho diminui quem você é
Quero que isso fique bem claro: eu não estou aqui reclamando. O que aprendi é que recomeçar do zero não é perder o que você viveu, é somar. Através desse trabalho, passei a ter uma visão real da cultura local e do ritmo das pessoas. Isso me ajuda a praticar o idioma de um jeito que os livros não ensinam.
Existe uma metáfora clássica sobre o Carvalho e o Bambu. O carvalho cresce forte e robusto, mas, quando vem uma tempestade violenta, ele quebra por ser rígido. Já o bambu é flexível; ele aguenta ventos fortes, se curva até o chão, mas não quebra.
Ser resiliente no exterior é saber se curvar. É entender que o trabalho atual — seja na limpeza, no estoque ou na logística — é uma ponte, não o destino final. É ter a flexibilidade de aprender novos processos enquanto você constrói a sua base.
Eu sei quem me chamou e, por isso, tenho crido nas promessas d'Ele em nossas vidas aqui. Permanecer e continuar faz parte de uma jornada na qual eu acredito. Eu sei que continuo sendo a mentora, a empreendedora e a comunicadora, mas agora com uma camada extra de resistência que só quem "colocou a mão na massa" em outro país possui.


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